O mesmo inferno
Algumas batidas violentas no portão feito com chapa
de alumínio.
– Abre aqui disgraça! – berrou.
Josué começa a chorar. A mãe resmunga:
– Ora porra, esse... – foi interrompida por mais batidas
– todo dia esse mesmo inferno.
Abre o portão e seu marido entra desembestado com
uma catinga medonha de cachaça. A mãe, colérica, expressava aos berros toda sua
indignação:
– [...] o comer dos pirraia tu não traz pra casa,
mas a cachaça tu...
Não terminou de falar (e nem ia), o marido atolou
um murrão em Josué, que estava próximo. O menino bateu com a cabeça na parede,
caiu duro e sangrando. Morte instantânea.
– Pirraia não tenho mais pra ter que alimentar,
agora posso tomar minha cachaça em paz – debochado, esquecendo-se do filho mais
novo, sorria.
A mãe gasguita se desesperava, mas Jairinho, seu
filho de cinco anos, permanecia impassível debaixo da cama. E há de nunca mais
esquecer essa cena.
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