sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A vida como ela não deveria ser #1

O mesmo inferno

Algumas batidas violentas no portão feito com chapa de alumínio.
– Abre aqui disgraça! – berrou.
Josué começa a chorar. A mãe resmunga:
– Ora porra, esse... – foi interrompida por mais batidas – todo dia esse mesmo inferno.
Abre o portão e seu marido entra desembestado com uma catinga medonha de cachaça. A mãe, colérica, expressava aos berros toda sua indignação:
– [...] o comer dos pirraia tu não traz pra casa, mas a cachaça tu...
Não terminou de falar (e nem ia), o marido atolou um murrão em Josué, que estava próximo. O menino bateu com a cabeça na parede, caiu duro e sangrando. Morte instantânea.
– Pirraia não tenho mais pra ter que alimentar, agora posso tomar minha cachaça em paz – debochado, esquecendo-se do filho mais novo, sorria.
A mãe gasguita se desesperava, mas Jairinho, seu filho de cinco anos, permanecia impassível debaixo da cama. E há de nunca mais esquecer essa cena.

Nenhum comentário:

Postar um comentário