Aos apressados dedico essa lista dos álbuns, em ordem de lançamento, sobre os quais comentarei nessa perspectiva pessoal.
The doors 1967
Paranoid 1970
Machine Head 1972
Houses of the holy 1973
Dark side of the mooon 1973
Novo Aeon 1973
Saltimbancos 1977
Seventeen Seconds 1978
In the flat field 1980
Bossanova 1990
Loveless 1991
Fear of the dark 1992
Canções para ninar 1993
Californication 1994
Da lama ao caos 1994
Mamonas assassinas 1995
Mais do mesmo 1998
Rap é compromisso 2001
Toxicity 2001
All is violent, all is bright 2002 (post-rocks)
Libertines 2004 (indies)
Once 2004
Junturna 2005
The Empyrean 2009
Building an Ark 2012
Sobre o que me foi contado do meu nascimento, me vem primeiro a cabeça que nasci ao som de Louis Armstrong, What a beautiful world. Mas isso não convêm. Ou convêm.
A começar pela minha mais tenra infância, lembro-me dos meus pais colocando pr'eu ouvir Os Saltimbancos (1977) (e Os Saltimbancos Trapalhões). Era contagiante, eu me sentia completamente envolvido pelas histórias, acho que qualquer criança ficaria. Talvez tenha brotado daqui a minha disposição pra ter um espírito mais musical. Na mesma época meu pai costumava escutar um álbum chamado Waiting For Costeau (1990), e aquela capa ficou marcada pra sempre na minha memória, me soava (na cabeça de um menino de menos de 5 anos) misteriosa ao mesmo tempo agradável. Nessa época eu ainda estava sujeito às vontades adultas, então ainda assim música não era tão frequente quanto passaria a ser num futuro distante.
Meu primeiro CD foi o Mamonas Assassinas (1996), ganhei quando tinha 5 anos formados, no entanto só passaria a escuta-lo mesmo três ano depois quando eu descobri que eu mesmo poderia escutar música quando quisesse, e escutava aquele quase que diariamente. Passou a ser repetitivo e eu precisava de novas coisas, foi quando eu lembrei que minha mãe escutava um CD de uma banda chamada Legião Urbana (nome que eu achava bem cafona). A capa do Mais do Mesmo (1998) não me chamava nem um pouco a atenção, mas lembrei que um dos meus amigos mais velhos da rua tinha comentado sobre a genialidade da banda, e resolvi escutar. Achava bastante empolgante, e sabia Faroeste Caboclo de cor. Em breve eu esgotaria aquele álbum e precisaria de mais daquilo. A partir de Legião Urbana me veio aos ouvidos algumas outras coisas que ouvia no rádio ou na televisão, porém não tinha acesso aos álbuns físicos, portanto não se tornaram tão importantes. Porém, num dia do ano de 2000, minha mãe chegou com um CD de coletânea da banda Titãs que ela tinha ganhado de um colega de trabalho, ele mesmo tinha feito a coletânea etc. O CD era só sonzera, os classicão mermo! E tinha uma capa muito nada a ver com o som, porém eu gostava dela. Esses foram os três primeiros álbuns que reafirmaram a importância que a música teria para minha formação pessoal, e nesse âmbito foram bastante influentes. Até então tudo que eu escutava era o que eu tinha em casa, muitas coisas escutei dos meus pais também como Gilberto Gil, Rita Lee, Caetano (nunca curti esse último) entre outros, e alguns lixos (Julio Iglesias, etc). Em alguma instância a criticidade musical já estava se revelando.
Pré consciência música: influências externas
Na quinta série uma das atividades da aula de inglês era cantar em inglês uma música, e eu via muito dos meus colegas cantando uma música de Red Hot Chili Peppers, e senti que aquilo ali era bem legal. Fui no centro e comprei uma cópia falsa do album homônimo à música que havia escutado na escola, Californication (1999). Aquele CD eu escutava repetidas vezes durante o dia no alto volume. Era aquilo que eu realmente queria escutar. Comecei a frequentar a lan house aos 12 anos e lá era inevitável não escutar Eminem, Limp Bizkit, Linkin Park e todos esses hits MTV. Com nenhum desses eu me identificaria tanto quanto me identifiquei com System of a Down. Numa lan house que frequentava em Maceió o Toxicity (1999) era escutado no loop infinito, e, por bem ou por mal, eu passei a gostar daquilo depois de tantas martelado no ouvido. Aquilo sim era a rebeldia pré-adolescente que faltava. Ali estava definido, eu era rockeiro. Só não sabia o que isso significava e significaria no futuro. Uma coisa interessante é que o Nevermind (1991) passou pelas minhas mãos e nem me abalou.
No mesmo período que conhecia as coisas na lan house, no site mais frequentado pelos jogadores de tíbia/cs, o saudoso lojadosom.com.br, meus amigos mais velhos da rua começaram a me apresentar o heavy metal. Logo me identifiquei, é claro, com Fear Of The Dark (1992) e seu hit homônimo. O som me soava rasgado, pesado, sujo e era bonito. Também por influência dos amigos da rua, que frequentemente se juntavam pra tocar violão, escutei o Machine Head (1971) e pela primeira vez pude compreender o teor artístico da música. Ambos os álbuns me permitiram conhecer tanto o heavy metal como o hard rock (entendendo a linha tênue que separa os gêneros)
Buscando pelos albuns clássicos do rock n roll, em meados de 2005, através do advento do arquivo .torrent e da internet mais veloz do mundo, com a incrível velocidade de 256kbps, da casa do meu amigo Iuri, eu pude conhecer Paranoid (1970) e Houses of the Holy (1973). Dois albuns fantásticos. O primeiro nem se fala, tinha a atmosfera mais sombria que ja tinha escutado até então, ainda mais que o The Number Of The Beast (1982). Fiquei encantadíssimo. E, o que falar da voz daquela mulher que canta no album laranjinha? Tive um grande mindfuck ao saber que a suposta vocalista de Led Zeppelin na verdade era um homem! Lembro que quando escutei D'yer Mak'er eu pensei "oque cláudia leite ta fazendo aqui?". Enfim, incrível os dois álbuns me aparecerem na mesma época, apesar de tão diferente os dois guardavam uma similaridade, só perceberia mais tarde essa penumbra mística/sombria presente em ambas gravações. Conheci AC/DC na mesma época, mas a atmosfera dessas outras bandas me ofuscaram o valor dessa ultima. Também nessa época o tão aclamado Dark Side of the Moon (1973) eu escutei, no entanto só futuramente esse álbum ganharia um status. Até hoje acho esse álbum sublime, apesar de não escutá-lo com tanta frequência quanto antes.
Nessa mesma época que eu descobria Black Sabbath e Led Zeppelin, e outras várias da mesma época começou a passar um clipe de Nightwish, Nemo. Não sei por quê, eu fiquei encantado com aquilo tudo: a aparência, a maneira de se portar, a sonoridade. E foi assim que Once (2004) me influenciou a procurar por metal sinfônico, metal melódico (speed metal por vezes, e alguns black/death metal) e todas essas baboseiras que me ensinaram o que é música ruim (pra mim, claro... mantendo o respeito). Aquilo me tornou meio gótico em alguma instância. Não me orgulho, também não nego. O querer ser gótico me subiu a cabeça e agora eu era na verdade um headbanger de cabeça estreita, e só escutava metal e tudo o mais seria lixo. Graças a Nightiwish eu sei o que não escutar e o que não ser (hoje ainda consigo escutar algumas poucas músicas da banda). Mas certamente eu estava enganado.
Ainda na época do meio gótico conheci Bauhaus através de uma música de Legião Urbana, aquela de Monica e Eduardo, se você não tava ligado ainda, Mônica era trevosa e escutava Bauhaus. E escutei aquele In The Flat Field (1980). Esse foi o primeiro álbum que eu tive consciência de dizer "não gostei, mas reconheço que aqui tem alguma coisa" e guardei para o futuro - esse album ainda aparecerá lá na frente novamente. Essa atitude me mostrava que minha consciência musical estava quase formada, o que só viria a acontecer no final de 2008 quando eu parei com a frescura de ser gótico (era poser, porque eu escutava tudo menos o que seria "música gótica", nem sabia o que era isso na vdd).
No meio desse período de tentativas frustradas de ser gótico passei a ouvir Raul Seixas, e o Novo Aeon (1973) era o album principal. Zerei Diablo II ao som de Raul e Iron Maiden, não entendo também. Esse album teve influência direta para i) deixar de querer se gótico e para ii) formar a consciência de que eu deveria sacar músicas mais particulares, digo, que expressasse mais o contexto cultural no qual eu estava inserido. Então passei a escutar sons mais regionais e deixei de querer ser gótico.
Marco aqui o fim do período de pré-consciência musical, afinal eu tinha que mostrar em qual contexto musical eu estava inserido. A consciência musical está marcada pelo fato de eu tornar-me mais crítico com relação ao que eu passaria a ouvir, e não apenas passional. Até então eu só procurava me identificar nas músicas e não contempla-la em sua forma artística. Ou seja, as músicas que eu escutava eram as musicas que me convinham passionalmente. E o fato de quebrar uma barreira de preconceitos (como eu disse que um headbanger de cabeça fechada) denota ainda mais essa consciência.