Abrindo uma nova sessão para o blog, passarei a postar algumas resenhas de livros, a começar por "A máquina do tempo", por H. G. Wells.
Para que possamos entender melhor o livro, devemos compreender a situação do autor no momento da produção. Inglaterra 1895: finalzinho da Era Vitoriana, quando a Inglaterra estava no ápice da exploração, com o Imperialismo, mal que consome nossa sociedade até hoje. E por erudito que era nosso autor, ele nos transmite a sua ideia acerca de um futuro de forma bastante particular, recheado de crítica ao imperialismo; é visível ao longo do texto a bagagem historiográfica que o autor transcreve, que da um toque mágico na trama.
Da obra essa é a chave: “É uma lei da natureza que negligenciamos: a versatilidade intelectual é uma compensação pela mudança, pelo perigo e pela preocupação. Um animal perfeitamente em harmonia com seu ambiente é um mecanismo perfeito. A natureza não apela à inteligência até que o hábito e os instintos se tornem inúteis. Não existe inteligência onde não existe mudança, nem necessidade de mudança. Só animais que possuem inteligência encontram uma enorme variedade de necessidades e perigos”
O texto trás personagens bastantes influentes devido à suas profissões debatendo a questão do tempo, que nos intriga até hoje: "O que diabos é o tempo?"; "qual a essência do tempo?", "o que faz do tempo tempo?". Como dito, a profissão dos personagens é bastante importante, pois cada um opinará de forma bastante singular. Então, o Viajante do Tempo, personagem central da história narra seu deslocamento temporal, após uma viagem, para seus companheiros, contando com riqueza de detalhes a aventura, mostrando pra onde foi e o quê encontrou, também como ele se movimentou por lá. Todas essas descrições são bastante importantes para entender o enredo por completo, e principalmente entender a crítica feita à sociedade. É surpreendente o tipo de “Terra” que ele encontra na viagem! Coisas que não podemos julgar quanto à negativo ou positivo.
Por trás da história, devemos perceber que o narrador mostra o pensamento em diversas situações de um típico inglês da época e pra reforçar, uma citação: “(...) sou muito ocidental para uma longa vigília. Poderia trabalhar num problema por muitos anos, mas esperar inativo durante 24 horas – essa é outra questão”. É possível notar sem problemas a questão da repressão apolínea (usando o termo de Nietzsche) do indivíduo europeu dessa época.
No entanto, se você procura saber sobre o próprio tempo, sobre uma possível funcionalidade da máquina do tempo, sinto muito em dizer-lhe, mas “A Máquina do Tempo” não atenderá suas expectativas, pois, no enredo ela é usada como um “órganon” para a aventura e críticas. Sobre a máquina em si quase nada é falado. Enfim, um texto rico em conteúdo e espírito.
E para acompanhar a resenha, uma música nada mais sugestiva: "Time Machine", por Satriani:
Eer, um dia desses eu peguei as folhas ficam soltas dentro do meu caderno pra poder reorganiza-las e lembrei de uma dúvida que eu tinha escrito pra perguntar ao professor, quando eu estava no primeiro período. Não é bem uma dúvida, seria mais uma reflexão, e eu de fato perguntei ao professor se tinha fundamento. Nesse dia o professor deu duas horas de aula só em função da minha pergunta. Se eu me lembro direito, ele terminou a aula e não me respondeu. Mas eu me lembro que ele disse que não era isso que eu tava pensando, mas ele justificava com coisas que não tinha muito a ver com o que eu perguntava, mal de professor desvirtuar sua pergunta, mas tudo bem. Esse dia foi legal, consegui debater com o professor, isso aumentou minha autoestima de fato. Eu trouxe aqui a pergunta pra quem se sentir apto responde-la ou mostrar algum posicionamento sobre a reflexão. Mas lembrando, a pergunta é sobre a filosofia de Platão, então eu não queria ser respondido por via de outros círculos.
"Enquanto almas somos todos nós iguais, pois somos tão sábios uns como os outros. Poderíamos nos diferenciar através de interpretações, opiniões, da doxa, mas diante da sabedoria verdadeira isso não pode ser válido, pois para Platão, a verdade só é uma e nós a conhecemos enquanto alma (ou não?, para podermos nos relembrar quando buscássemos o conhecimento verdadeiro no mundo sensível). Retomando: somos todos iguais enquanto alma pois conhecemos a verdade. Sendo assim, a minha alma confunde-se com a sua. Então, o que difere você de mim? Posso dizer então que Platão defendia que antes de virmos ao mundo sensível fazemos parte de uma única alma*? Ou que nos diferenciamos apenas quando aqui (no mundo sensível)? Ou isso é um falso problema?"
Ser essa a pergunta. Notem o asterístico, acho que é essa a base da pergunta. Não sei se é por que eu acredito que formamos cada um de nós um só que eu pensei isso, mas depois que eu fui pensar nisso. Essa questão aí na qual eu acredito, eu não queria transformar numa questão teológica, na verdade eu não quero aceitar minha visão assim. Pra explicar um pouco melhor esse meu posicionamento, pelo pouco que eu conheço de Durkheim, não queria me arriscar a comprar com aquilo que ele chama de "integridade social", mas o termo é bem sugestivo e usa-lo-ei no meu escrito.
Então, a integridade social atingiria o seu máximo nível quando todas as pessoas se respeitassem, que cada um visse seu lugar e respeitasse assim como valorizasse os caminhos alheios. Onde, todos teriam consciência de si para com os outros. Sem mais maiores. É semelhante ao anarquismo, deu pra entender? Concordo que é utópico hoje para nós (com ênfase no "hoje" e no "para nós"!). Pois creio que, se a humanidade caminha para um futuro perfeito, por mais caminhos negativos que ela tome nessa jornada, a perfeita organização social é o anarquismo. Deixando essa de utopia um pouco de lado, mas por que sermos todos uno? Primeiro eu deixo claro que, do meu ponto de vista, a humanidade progride sempre por que eu acho que nunca queremos o mal, o pior, a negação do desenvolvimento. Mas é como eu falei, queremos o bem por mais que existam alguns que tragam todo desenvolvimento pra uma regressão.
Esses alguns que trazem a negatividade humanística só nos mostram a necessidade da experiência. É necessário que passemos por certas circunstâncias pra ficarmos preparados para o que tem por vir. Por isso que é importante o regresso na história para sabermos quem somos nós. Nós como um todo e nós como indivíduo personalizado. Personalizado mesmo, pois é seu meio que personaliza o indivíduo, como nos mostra Heidegger, com quem eu muito concordo sobre isso. Acho inegável a necessidade da história na formação do indivíduo por essas e outras ocasiões, por enquanto ficaremos só com essa. E, sobre esses 'negativantes sociais', eu prefiro acreditar que eles querem o bem da humanidade também, porém, de uma forma louca ou até mal instruída. Tipo, teve nego achando que ia salvar a humanidade se acabassem com os judeus. Essa seria uma forma má instruída de querer o bem. (acho que as pessoas inteligentes que lêem meu blog nunca pensarão que estou defendendo a xenofobia de Hitler, então não deixarei nenhum aviso)
Esclarecidos sobre a questão da humanidade sempre avançar e da necessidade do negativo como experiência com a necessidade do regresso histórico, podemos falar agora o por quê do sermos uno: se queremos o bem, queremos o bem para todos. Ou seja, deveríamos estar unido pelo bem comum, pelo desenvolvimento. O problema é: como achar um bem comum? Como agradar punks e progs ao mesmo tempo? Como de fato agradar gregos e troianos? Talvez esse não fosse um problema a ser pensado agora. Quando tivermos todos muito bem educados, conscientizados, instruídos, e consequentemente respeitosos e abertos à opinião alheia poderíamos chegar à um consenso. Eu creio que há sim um consenso, mas pra chegarmos à ele seria necessária uma grande integridade social.
Tenho uma frase anotada no meu caderno do escritor Hermann Hesse. Quem me conhece deve saber que eu curto muito seus livros. E deixo aqui um trecho do livro "Minha Fé", que não é um romance, conto ou novela, mas sim ele fazendo mais ou menos isso que faço agora só que de forma muito mais fundada, abrangente e complexa. Nesse livro eu percebo muitas ideias existencialistas, eu não sei muito bem sobre sua história mas, ele deve ter tido algum contato com Albert Camus e Sartre, mas não me arrisco a dar certeza sobre isso.Eu concordei com uns noventa e cinco porcento do que ele fala no livro, acho dizer isso importante, inclusive quero relê-lo. E quero aproveitar pra agradecer muito, muitíssimo mesmo, ao meu professor Jambo (prof. de português), quem me indicou e me deu esse livro! Ta aí o trecho:
"... a ideia de que a totalidade do mundo e uma unidade divina e que todo o sofrimento, todo o mal que nela existe está apenas no dato de já não nos sentirmos individualmente como partes indissolúveis do todo, do 'eu' se dar demasiada importância"
Da pra pegar a idéia, né? Chega esse momento do post e alguns ainda devem estar se perguntando o que tem a ver a pergunta sobre a filosofia de Platão do início e a "unidade humana". A relação é que se somos partes de uma única alma, somos o uno que tentei expressar ao longo do resto do texto, e Platão já poderia ter pensado isso, que eu não acho muito difícil, uma vez que ele ta ali, junto de Parmênides com sua filosofia do "tudo é um e imóvel".
Pois bem. Poxa, acho necessário uma consideração final. Talvez eu tenha me expressado muito mal ao falar sobre essa minha ideia, sinto necessidade de amadurecê-la ainda. Pode ser até que eu nem acredite no futuro da humanidade (o que foi a base da idéia), mas uma coisa é certa, se há futuro, eu creio nisso. Isso tudo pode até ser um delírio, sei lá, mas... Bem, eu acho que se há algo muito claro que Platão tem nos ensinado é: o valor do diálogo, o amadurecimento das idéias através do diálogo. Não sei se disse bem, mas é Quase Isto!
Pra não perder o costume e fechar bem esse post, deixo aqui mais uma indicação de som. Como eu falei ao indicar Gang Gang Band, psicodelia só é bom quando é de monte! Não assista o vídeo se você tem aquela epilepsia... Mas faço questão de que você escute (e me fale o que achou), pois leva qualquer um às estrelas. É obvio que a turma do David Gilmour foram os primeiros a usar técnicas que culminaram no Space, mas pra mim, junto ao Hawkwind, o Ozric Tentacles é a banda que mais representa o estilo. Então vamos experimentar um pouco:
TIC Já olhou? sorriu? Morreu. TAC Já chamou? interferiu? Bebeu. TIC Já apagou? feriu? Colheu. TAC Já cansou? transferiu? Escreveu. TIC Já desenhou? mentiu? Correu. TAC Já arremessou? partiu? Escondeu.
TIC Já implementou? subiu? Escureceu.
TAC Já memorizou? engoliu? Perdeu.
TIC Já trocou? caiu? Comeu.
TAC Já cortou? serviu? Cresceu. TIC Já se empolgou? adquiriu? Se arrependeu.
Então, como na introdução eu falei, vou escrever sobre minhas ideias conforme as coisas significantes que eu penso vão aparecendo. Voltaram minhas aulas, e ontem foi um dia cheio. Começamos o dia com filosofia antiga onde o professor deu uma introdução cheia de conteúdo, muito bom. Mas sobre o que falarei me veio na aula de Filosofia da Arte, e, que foi nessa aula que me vieram os devaneios... O professor é super legal e dá aula como ninguém, com aquele entusiasmo que falta aos professores mais antigos, tradicionais.
Pois bem, logo ao começar a aula o professor pediu pra que a gente se apresentasse e tal, e eu fui o único que não se apresentou. Acho que por timidez, pois eu sinto vergonha se compartilhar da mesma frase que todos: “meu nome é tal, sou do segundo período, licenciatura, e é obrigatória”. Porra! Todo mundo tava falando isso e nada mais nada menos! E eu não queria ser igual, preferia falar alguma coisa diferente e, como não tinha, preferi não falar. Mas foi uma merda eu não ter lembrado na hora que essa era a cadeira para qual eu dirigia uma ansiedade enorme desde que eu entrei no curso. Eu diria isso e sairia do comum. Mas não...
Então, a primeira coisa que me deixou intrigado nessa aula foi quando o professor disse que nós do departamento de filosofia monopolizamos a filosofia, e fez a seguinte pergunta “retórica” que a princípio eu concordei: “mas por que a filosofia não pode estar em todo lugar?”. Mas, mudei de ideia. Sem querer me passar por revoltado, aqui eu vos respondo, professor. A questão não é que monopolizamos a filosofia somente a nós. Primeiro: eu acho que a filosofia está em todo canto, mas o leigo não sabe captar suas mensagens por falta de instrução; logo, não somos nós que sugamos toda a filosofia para a gente, e sim aquele leigo que deixa apenas para a gente o sabor filosófico. E se eu estiver errado pelo primeiro caso que acho ainda otimista, temos o segundo: se a filosofia não está em toda parte e os leigos não sabem captar a mensagem, há ainda a possibilidade dele simplesmente não querer; pois percebo isso quando levo algum assunto filosófico para uma discussão entre pessoas e elas se fecham quanto a esse conhecimento, pedem pra parar, pois é chato (“Ah, não! Isso agora não, por favor!”); ou seja, se você supõe que o contato com a filosofia seria através de nós (estudantes ou professores de filosofia), desse segundo ponto eu só posso tirar a conclusão de que o contato com a filosofia é árduo, o que não é nada estranho não querer contato com o árduo.
A aula foi do tipo que deixa você pensando no que ouviu por um tempo. E na metade dela eu já queria sair, pois eram muitas as informações que eu queria absorver e que ele nos jogava, foi super construtivo. Eu não me lembro exatamente o que ele falou que mudou meu modo de apreciar obras de arte, mas lembro que isso algo mudou: “você nunca é o mesmo diante de uma obra de arte”. Ok, você pode tirar daí uma ligação com Heráclito, mas ele não falou nesse sentido de Heráclito, pois este fala principalmente de mudanças a quais nós não percebemos e é por isso que ele nos alerta e tal... sempre somos diferentes a cada instante que passa, mas geralmente não percebemos essa mudança. Mas no sentido da arte não! É perceptível essa coisa que você sentiu, basta um pouco de consciência. Por mais que você ache que a obra não lhe causou efeito algum, ela causou sim, inclusive esse de não ter gostado, se for o caso, de forma que o não gostar foi de forma proposital, fora isso que a obra de arte lhe fez sentir. Então, eu sinto que ter descoberto que sempre há um sentimento depois de uma obra de arte foi um grande passo para chegar naquele estado que os hindus chamam de consciência absoluta, apesar de não crer que isso seja possível.
E uma coisa também que me deixou encafifado foi a Mona Lisa. O professor tava falando sobre os vários tipos de interpretação que se pode ter de uma obra de arte e como exemplo mostrou-nos a famosa. Aí ele falou que muitos a vêem séria, rindo, e seu riso podia representar isso ou aquilo e tal... Foi quando surgiu o problema. Eu já havia notado isso de leve, mas ultimamente é imensa a repulsão que tenho ao olhar nos olhos da Mona Lisa. Eu não consigo olhar para o rosto da mulher de forma alguma! Antes eu achava que eu não curtia por não saber o que é que se passa em seu rosto, mas pensando bem, eu acho que cheguei a um resultado. Eu fico bastante inseguro olhando pra ela, pois, é como se ela tivesse acabado de me perguntar alguma coisa e ela toca no fundo da minha alma com aquele olhar, como se quisesse me deixar aberto e desvendar tudo o que eu sou. Eu não, sei, véi! Isso é muita loucura, eu de fato nunca gostei dessas pessoas que carregam no rosto um semblante de alguém que quer lhe invadir a alma, e é esse o sentimento que eu tenho ao olhar pra Mona Lisa. Eu não acho isso ruim! Talvez seja esse o sentimento mais forte que eu já tive ao apreciar uma obra, essa repugnância, essa necessidade de ter que mudar a direção do olho e tal... Eu acho que isso torna a obra ainda mais artística!
Bem, eu não queria deixar o post exaustivo, logo o de introdução ao blog. Mas tentei deixar bem claro minha opinião sobre certas coisas, da pra vocês sacarem um pouco como eu penso. Talvez pareça um pouco enrolado e pesado, é fruto da confusão. Hahah!