Então, como na introdução eu falei, vou escrever sobre minhas ideias conforme as coisas significantes que eu penso vão aparecendo. Voltaram minhas aulas, e ontem foi um dia cheio. Começamos o dia com filosofia antiga onde o professor deu uma introdução cheia de conteúdo, muito bom. Mas sobre o que falarei me veio na aula de Filosofia da Arte, e, que foi nessa aula que me vieram os devaneios... O professor é super legal e dá aula como ninguém, com aquele entusiasmo que falta aos professores mais antigos, tradicionais.
Pois bem, logo ao começar a aula o professor pediu pra que a gente se apresentasse e tal, e eu fui o único que não se apresentou. Acho que por timidez, pois eu sinto vergonha se compartilhar da mesma frase que todos: “meu nome é tal, sou do segundo período, licenciatura, e é obrigatória”. Porra! Todo mundo tava falando isso e nada mais nada menos! E eu não queria ser igual, preferia falar alguma coisa diferente e, como não tinha, preferi não falar. Mas foi uma merda eu não ter lembrado na hora que essa era a cadeira para qual eu dirigia uma ansiedade enorme desde que eu entrei no curso. Eu diria isso e sairia do comum. Mas não...
Então, a primeira coisa que me deixou intrigado nessa aula foi quando o professor disse que nós do departamento de filosofia monopolizamos a filosofia, e fez a seguinte pergunta “retórica” que a princípio eu concordei: “mas por que a filosofia não pode estar em todo lugar?”. Mas, mudei de ideia. Sem querer me passar por revoltado, aqui eu vos respondo, professor. A questão não é que monopolizamos a filosofia somente a nós. Primeiro: eu acho que a filosofia está em todo canto, mas o leigo não sabe captar suas mensagens por falta de instrução; logo, não somos nós que sugamos toda a filosofia para a gente, e sim aquele leigo que deixa apenas para a gente o sabor filosófico. E se eu estiver errado pelo primeiro caso que acho ainda otimista, temos o segundo: se a filosofia não está em toda parte e os leigos não sabem captar a mensagem, há ainda a possibilidade dele simplesmente não querer; pois percebo isso quando levo algum assunto filosófico para uma discussão entre pessoas e elas se fecham quanto a esse conhecimento, pedem pra parar, pois é chato (“Ah, não! Isso agora não, por favor!”); ou seja, se você supõe que o contato com a filosofia seria através de nós (estudantes ou professores de filosofia), desse segundo ponto eu só posso tirar a conclusão de que o contato com a filosofia é árduo, o que não é nada estranho não querer contato com o árduo.
A aula foi do tipo que deixa você pensando no que ouviu por um tempo. E na metade dela eu já queria sair, pois eram muitas as informações que eu queria absorver e que ele nos jogava, foi super construtivo. Eu não me lembro exatamente o que ele falou que mudou meu modo de apreciar obras de arte, mas lembro que isso algo mudou: “você nunca é o mesmo diante de uma obra de arte”. Ok, você pode tirar daí uma ligação com Heráclito, mas ele não falou nesse sentido de Heráclito, pois este fala principalmente de mudanças a quais nós não percebemos e é por isso que ele nos alerta e tal... sempre somos diferentes a cada instante que passa, mas geralmente não percebemos essa mudança. Mas no sentido da arte não! É perceptível essa coisa que você sentiu, basta um pouco de consciência. Por mais que você ache que a obra não lhe causou efeito algum, ela causou sim, inclusive esse de não ter gostado, se for o caso, de forma que o não gostar foi de forma proposital, fora isso que a obra de arte lhe fez sentir. Então, eu sinto que ter descoberto que sempre há um sentimento depois de uma obra de arte foi um grande passo para chegar naquele estado que os hindus chamam de consciência absoluta, apesar de não crer que isso seja possível.
E uma coisa também que me deixou encafifado foi a Mona Lisa. O professor tava falando sobre os vários tipos de interpretação que se pode ter de uma obra de arte e como exemplo mostrou-nos a famosa. Aí ele falou que muitos a vêem séria, rindo, e seu riso podia representar isso ou aquilo e tal... Foi quando surgiu o problema. Eu já havia notado isso de leve, mas ultimamente é imensa a repulsão que tenho ao olhar nos olhos da Mona Lisa. Eu não consigo olhar para o rosto da mulher de forma alguma! Antes eu achava que eu não curtia por não saber o que é que se passa em seu rosto, mas pensando bem, eu acho que cheguei a um resultado. Eu fico bastante inseguro olhando pra ela, pois, é como se ela tivesse acabado de me perguntar alguma coisa e ela toca no fundo da minha alma com aquele olhar, como se quisesse me deixar aberto e desvendar tudo o que eu sou. Eu não, sei, véi! Isso é muita loucura, eu de fato nunca gostei dessas pessoas que carregam no rosto um semblante de alguém que quer lhe invadir a alma, e é esse o sentimento que eu tenho ao olhar pra Mona Lisa. Eu não acho isso ruim! Talvez seja esse o sentimento mais forte que eu já tive ao apreciar uma obra, essa repugnância, essa necessidade de ter que mudar a direção do olho e tal... Eu acho que isso torna a obra ainda mais artística!
Bem, eu não queria deixar o post exaustivo, logo o de introdução ao blog. Mas tentei deixar bem claro minha opinião sobre certas coisas, da pra vocês sacarem um pouco como eu penso. Talvez pareça um pouco enrolado e pesado, é fruto da confusão. Hahah!