sábado, 29 de novembro de 2014

mini-saga #6

Há muito vinha sentindo leve incômodo. O notou mais intenso até que teve tempo pra respirar. Acomodou-se nos galhos da árvore, no topo do despenhadeiro, e contemplou toda aquela vastidão que a fez despertar:

- Não quero mais, tô cheia!

Pulou da árvore. Nunca mais pôs os pés no chão.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

mini-saga #5

Senti minha barriga roncar e fui direto pra cozinha. Durante a sesta senti o mesmo desconforto, dessa vez caprichei na refeição. Não tardou a voltar o mesmo incômodo. Lembrei que tinha engolido meu celular e prontamente o regurgitei. Atendi a chamada, uma mulher me ofereceu um novo plano de saúde.

mini-saga #4

- Agora tô aqui!, vivendo a prisão que é essa ausência do sentido. Eu que sempre fui serena a todas as situações. Talvez eu já não seja mais a mesma, é tão fácil se confundir! De onde vem tanta apatia, moço? Se já não mais me reconheço, quem seria eu?

sábado, 15 de novembro de 2014

mini-saga #3

A garrafa escorregou, o embriagado sentou-se naquele batente. Reparou três asiáticas se aproximando. Suava e tremia, encarou-as. Levantou-se bruscamente e agarrou uma delas:

- Qualquer movimento e corto-a garganta!

- Talvez.

Gritos e jorros vermelhos. Reparou três corpos. Cambaleante, deu três passos e um em falso. Agora eram quatro cadáveres.