terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Resenha: "A máquina do tempo"

Abrindo uma nova sessão para o blog, passarei a postar algumas resenhas de livros, a começar por "A máquina do tempo", por H. G. Wells.

Para que possamos entender melhor o livro, devemos compreender a situação do autor no momento da produção. Inglaterra 1895: finalzinho da Era Vitoriana, quando a Inglaterra estava no ápice da exploração, com o Imperialismo, mal que consome nossa sociedade até hoje. E por erudito que era nosso autor, ele nos transmite a sua ideia acerca de um futuro de forma bastante particular, recheado de crítica ao imperialismo; é visível ao longo do texto a bagagem historiográfica que o autor transcreve, que da um toque mágico na trama.

Da obra essa é a chave: “É uma lei da natureza que negligenciamos: a versatilidade intelectual é uma compensação pela mudança, pelo perigo e pela preocupação. Um animal perfeitamente em harmonia com seu ambiente é um mecanismo perfeito. A natureza não apela à inteligência até que o hábito e os instintos se tornem inúteis. Não existe inteligência onde não existe mudança, nem necessidade de mudança. Só animais que possuem inteligência encontram uma enorme variedade de necessidades e perigos”


O texto trás personagens bastantes influentes devido à suas profissões debatendo a questão do tempo, que nos intriga até hoje: "O que diabos é o tempo?"; "qual a essência do tempo?", "o que faz do tempo tempo?". Como dito, a profissão dos personagens é bastante importante, pois cada um opinará de forma bastante singular.  Então, o Viajante do Tempo, personagem central da história narra seu deslocamento temporal, após uma viagem, para seus companheiros, contando com riqueza de detalhes a aventura, mostrando pra onde foi e o quê encontrou, também como ele se movimentou por lá. Todas essas descrições são bastante importantes para entender o enredo por completo, e principalmente entender a crítica feita à sociedade. É surpreendente o tipo de “Terra” que ele encontra na viagem! Coisas que não podemos julgar quanto à negativo ou positivo.

Por trás da história, devemos perceber que o narrador mostra o pensamento em diversas situações de um típico inglês da época e pra reforçar, uma citação: “(...) sou muito ocidental para uma longa vigília. Poderia trabalhar num problema por muitos anos, mas esperar inativo durante 24 horas – essa é outra questão”.  É possível notar sem problemas a questão da repressão apolínea (usando o termo de Nietzsche) do indivíduo europeu dessa época.

No entanto, se você procura saber sobre o próprio tempo, sobre uma possível funcionalidade da máquina do tempo, sinto muito em dizer-lhe, mas “A Máquina do Tempo” não atenderá suas expectativas, pois, no enredo ela é usada como um “órganon” para a aventura e críticas. Sobre a máquina em si quase nada é falado. Enfim, um texto rico em conteúdo e espírito.

E para acompanhar a resenha, uma música nada mais sugestiva: "Time Machine", por Satriani: