segunda-feira, 13 de julho de 2015

O cobrador

            Não carregava comigo o vale eletrônico. Entreguei quatro reais ao cobrador, que prontamente me devolveu cinquenta centavos de troco e liberou a passagem. Passei, mas esperei junto a catraca. Demorou dois minutos para que o cobrador cinicamente me perguntasse o que eu ainda fazia ali. Expliquei que ele ainda me devia um real de troco. Sem hesitar expressou-se:
            – Ah, foi mal!– e ao me devolver a quantia balbuciou sons com intenção de expressar cansaço.
            Após passar a catraca refleti e decidi me vingar. A cabine do cobrador era opaca. Sentei e escrevi com letras garrafais “COBRADOR LADRÃO”. Rasguei o pedaço de papel e comecei a lamber. Os outros passageiros sem entender o que eu tramava começaram a rir contidamente. Colei na cabine o meu recado; todos puderam lê-lo e um riso generalizado se instaurou no coletivo.
            Passaram-se duas paradas e o papel continuava colado quando dois sujeitos emburacaram pela porta do meio sem pagar a passagem. O cobrador exasperado gritou:
            – Eeei meu véi! Vai pagar a passagem não, é?!
            Ao que um dos sujeitos respondeu:
– Ôx'tu é doid'é? Tem um papel colado na cabine escrito “cobrador ladrão” e tu acha que eu vou pagar passagem, é?
Todos gaitaram.

domingo, 12 de julho de 2015

Martinércia Crônica

Paciência é a virtude dos fortes, tudo na vida é uma questão de saber esperar. Essa é a lição de "Sidarta". A ideia não é um simples esperar como ironiza "Ouro de tolo", mas um esperar que deriva da palavra (e ideia de) "esperança". Esperar, comumente é "fazer nada enquanto algo não chega". A ideia é justamente esse "nada", o que fazemos enquanto o que se espera não chega? Essa conotação de movimento no esperar é o que dá sentido de "esperar" enquanto "esperança". Enquanto temos esperança nós nos movimentamos com o objetivo de que aquilo que esperamos finalmente seja alcançado. Esperar é fazer um "nada" significativo que contribua para realização do que esperamos. Não adianta prosa se não nos torna melhores, então a pergunta que realmente nos interessa é: será que realmente esperamos? ou somos seres empedernidos na inércia? Exceto o drama, a pergunta continua.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Sobre a vaidade de ser

Do que adianta a mais completa erudição, o mais refinado academicismo se o espírito não experimenta a sensibilidade de querer tornar-se mais humano?