Não carregava comigo o vale
eletrônico. Entreguei quatro
reais ao cobrador, que prontamente me devolveu cinquenta centavos de troco e
liberou a passagem. Passei, mas esperei junto a catraca. Demorou dois minutos
para que o cobrador cinicamente me perguntasse o que eu ainda fazia ali.
Expliquei que ele ainda me devia um real de troco. Sem hesitar expressou-se:
– Ah, foi mal!– e ao me devolver a quantia balbuciou sons com intenção de
expressar cansaço.
Após passar a catraca refleti e
decidi me vingar. A cabine do cobrador era opaca. Sentei e escrevi com letras garrafais “COBRADOR
LADRÃO”. Rasguei o pedaço de papel e comecei a lamber. Os outros passageiros
sem entender o que eu tramava começaram a rir contidamente. Colei na cabine o
meu recado; todos puderam lê-lo e um riso generalizado se instaurou
no coletivo.
Passaram-se duas paradas e o papel
continuava colado quando dois sujeitos emburacaram pela porta do meio sem pagar
a passagem. O cobrador exasperado gritou:
– Eeei meu véi! Vai pagar a passagem não, é?!
Ao que um dos sujeitos respondeu:
– Ôx'tu é doid'é? Tem um papel colado na cabine escrito
“cobrador ladrão” e tu acha que eu vou pagar passagem, é?
Todos gaitaram.