quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A primeira pessoa não humana

É dito que, em certa ocasião, um cientista reconheceu um orangotango como pessoa. Devido ao seu comportamento complexo, que incluía tentativas de fuga e invenção de ferramentas, entraram com um pedido de Habeas Corpus para conceder ao animal o título de “pessoa não humana”. O processo foi confuso mas deram-no o título e processaram o laboratório que o mantinha cativo. No tribunal, o juiz não só culpou o laboratório como propôs uma (re)integração daquela pessoa à sociedade. Foram rapidamente providenciadas todas as documentações que uma pessoa necessita pra ser reconhecida como tal, inclusive CPF. 
Seria natural que no seu processo de socialização o animal sentisse necessidade de uma conta bancária, portanto visitou a agência do Banco do Brasil mais próximo à sua residência. Lá enfrentou dificuldades para ser atendido, mas logo alguém pôs fim ao burburinho:
 Eu o atenderei! Senhor Marcacos Kong, por gentileza dirija-se a cabine quatro.
Ao chegar na cabine, a atendente:
– Pois não?
– Eu gostaria de abrir uma conta.
– Mas você nem é gente, como...
– Sou sim!
– Mas olhe pra você, olhe esses pelos! Você ao menos usa vestimentas!
– Isso não tem nada a ver! – dizia exaltado – tá aqui todos os meus documentos! – a atendente pegava a papelada e pensava “Marcacos Kong Bananeira, sem filiação registrada, humm”.
Num dos dias que se sucederam, era possível notar confusão no rosto das pessoas que liam no jornais expostos a manchete “ATENDENTE BANCÁRIA É PROCESSADA POR ORANGOTANGO” e logo abaixo o lead trazia “uma atendente bancária que trabalhava no Banco do Brasil há mais de vinte anos foi processada esta semana por um orangotango devido a diversos crimes, incluindo o de racismo, especismo e maus tratos a animais”. 

P.S.: court extends human right to freedom to orangutan